Autor do mês - Herberto Helder

herberto helderHerberto Helder Luís Bernardes de Oliveira nasceu a 23 de novembro de 1930, no Funchal. A mãe, doente desde o seu nascimento, morreu quando ele tinha oito anos e, como disse um dia, essa “tragédia” terá sido a raíz da sua poesia. É considerado um dos mais originais poetas de língua portuguesa. Não gostava de falar da sua privacidade e em torno dele pairava uma atmosfera algo misteriosa uma vez que recusava homenagens, prémios ou condecorações e se negava a dar entrevistas ou a ser fotografado. Em 1994, foi o vencedor do Prémio Pessoa, que recusou.

Nas palavras de Maria de Fátima Marinho, Herberto Helder fez “um caminho muito próprio com uma imensa mestria na linguagem, nas metáforas e imagens que cria, até nas alegorias que usa, o que torna a sua escrita tão nova.” “Mas também os temas fundamentais que trata, o amor, a morte, a solidão, a angústia, o corpo. São da literatura desde sempre mas a forma como os aborda faz dele uma das grandes referências da segunda metade do séc. XX.” Publicou o primeiros poemas em 1952, na colectânea madeirense Arquipélago, dois anos mais tarde outra “Poemas Bestiais”no jornal A Briosa, de Coimbra. Frequentou a universidade de Coimbra onde, depois do 1º ano de Direito, mudou para Filologia Românica, frequentando depois um curso de Ciências Pedagógicas. No início dos anos 50, largou a universidade e seguiu para Lisboa. Colaborou no semanário Renhau-nhau (1955), nas revistas Búzio (1956), Folhas de Poesia e Graal, nos suplementos “Agora”, do semanário Voz do Tejo e “Diálogo” do Diário Ilustrado e mais tarde, nos Cadernos do Meio-Dia, na Pirâmide (1959-1960), no Jornal Artes e Letras e nos suplementos literários do Diário de Lisboa. Saiu do País no final dos anos 50, viveu em França, Bélgica, Holanda e Dinamarca, realizando trabalhos corriqueiros, sem qualquer relação com a literatura. Estreou-se em 1958 com O Amor em Visita, um longo poema que espantou o meio literário. Em 1963 escreveu Os Passos em Volta, o seu primeiro livro de prosa, ainda que nele seja difícil distinguir a prosa da poesia, um livro que sugere as viagens deambulatórias de uma personagem por entre cidades e quotidianos, colocando ao mesmo tempo incertezas acerca da identidade própria de cada ser humano.

Colaborou em revistas como Távola Redonda e em 1964, organizou com António Aragão o Primeiro caderno antológico de Poesia Experimental , marco histórico da poesia portuguesa. Foi redactor da revista Notícia em Luanda (Angola), em 1971, onde sofreu um acidente grave que o deixou hospitalizado três meses. De regresso à metrópole, foi editor literário da Editorial Estampa, funcionário das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, revisor tipográfico, tradutor e apresentador de programas de rádio. Os seus livros por vezes sairam com longos intervalos, reedições e junções muitas vezes reescritas. Todo a sua obra se pode ler como um poema contínuo. Continuamente escrito e reescrito. Poesia Toda é o título de uma antologia pessoal dos seus livros de poesia que tem sido depurada ao longo dos anos. Na edição de 2004 foram retiradas da recolha suas traduções. Alguns dos seus livros desapareceram das mais recentes edições da Poesia Toda, rebatizada Ofício Cantante, nomeadamente Vocação Animal e Cobra.

Faleceu no dia 23 de março de 2015. Deixou um novo livro Poemas Canhotos.

Poesia:
Poesia – O Amor em Visita (1958)
A Colher na Boca (1961)
Poemacto (1961). Lugar (1962)
Electrònicolírica (1964)
Húmus: poema-montagem (1967)
Retrato em Movimento (1967)
Ofício Cantante: 1953-1963 (1967)
O Bebedor Nocturno (1968)
Vocação Animal (1971)
Poesia Toda (1.º vol. de 1953 a 1966; 2.º vol. de 1963 a 1971) (1973)
Cobra (1977)
O Corpo o Luxo a Obra (1978).
Photomaton & Vox (1979).
Flash (1980).
A Plenos Pulmões (1981)
Poesia Toda 1953-1980 (1981)
A Cabeça entre as Mãos (1982)
As Magias (1987)
Última Ciência (1988)
Poesia Toda (1990)
Do Mundo (1994)
Poesia Toda (1996)
Ouolof: poemas mudados para português (1997)
Poemas Ameríndios: poemas mudados para português (1997)
Doze Nós Numa Corda: poemas mudados para português (1997)
Fonte (1998)
Ou o poema contínuo: súmula (2001)
Ou o poema contínuo (2004)
A Faca Não Corta o Fogo - Súmula & Inédita (2008)
Ofício Cantante - Poesia Completa (2009)
Servidões (2013)
A Morte Sem Mestre (2014)
Poemas Completos (2014)

Prosa:
Os Passos em Volta (1963)
Apresentação do Rosto (1968)
A Faca Não Corta o Fogo (2008)

DESTAQUE

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